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A força do saber

Quando recebi o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Pequim, resolvi falar sobre o tema do saber, defendendo a tese de que todo conhecimento humano era resultado de longo processo de acumulação de saberes que vinha desde o homem da pedra lascada até as descobertas que nos fascinam, como conhecer a estrutura do Coronavírus SARS-CoV-2. O vírus tem de 50 a 200 nanómetros (0,0000002 m) e precisa de microscópio eletrônico capaz de aumento de cem mil a um milhão de vezes para ser estudado. Esse “invisível” organismo, é contudo capaz de afetar o gênero humano mais do que qualquer bomba atômica existente ou que venha ainda a ser descoberta (já matou 10 vezes mais que a bomba de Hiroshima).

Pois dizia eu que, sendo assim, o saber era um patrimônio da História do homem e, como tal, não devia ser objeto de comércio. Agora, sou obrigado a rever meus argumentos, sem abandonar seus fundamentos. Essa corrida em busca da descoberta da vacina e de medicamentos de cura teria acontecido se não fossem o capitalismo e a ganância do lucro? Com a divisão do mundo em busca de poder, de hegemonia, de domínio talvez tivesse sido impossível haver coordenação de forças para o mais rápido possível chegar-se à descoberta da vacina e da cura da Covid-19. Resta saber como será a disputa pela distribuição, se será igualitária, se atingirá a todos, pobres e ricos. Sabemos que a difusão da penicilina, descoberta em 1928 por Fleming, mas que lentamente passava do conhecimento científico para o uso, só aconteceu por causa da 2ª Guerra Mundial, com o War Production Board. Será o capitalismo mais eficiente? A OMS sairá fortificada ou será destruída pelas ambições de alguns chefes de estado?

De qualquer forma o futuro da Humanidade não será de países grandes ou pequenos, mas daqueles que dominem tecnologia e ciência. Os outros estão condenados à colonização cultural e econômica para ter acesso aos benefícios das descobertas — e sofrerão as consequências.

Essas reflexões me ocorrem na disputa da vacina, cujos reflexos transbordam até para o Brasil. Os laboratórios nacionais entram nessa corrida, comprando parcerias e investindo até mesmo no escuro sem saber se terão êxito ou não. Mas até aí o conhecimento influi. Isso só é possível porque temos duas instituições públicas de excelência, reconhecidas mundialmente na área de pesquisa: o Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e o Butantã em São Paulo. Um ligado à pesquisa de vacina de Oxford, na Inglaterra; o outro, à pesquisa chinesa, já na fase três, isto é já sendo testada em humanos, fase essa a ser aplicada no Brasil a partir do dia 20 deste mês.

Agora, com imensa contestação no meio científico, surge a Índia anunciando que uma vacina, que eles chamaram Covaxin, desenvolvida em tempo recorde e já sendo testada em humanos, deverá estar disponível para ser aplicada a 15 de agosto. Esse anúncio provocou esperanças e expectativas. Que seja exitosa é o desejo mundial.

Outro anúncio de revolução tecnológica foi o de um filtro de espuma de níquel aquecida que destruiria — se, como se pensa agora, o vírus se espalhar também em aerossol — quase 100% do Coronavírus em suspensão, ao ser usado por aparelhos de ar condicionado em ambiente fechado: aviões, navios de turismo, ônibus etc.

Estamos mais uma vez nas mãos dos cientistas, graças a Deus.

1 thought on “A força do saber

  1. Pedro Guedêlha

    Vanguarda das pesqueisas.
    É do consórcio de institutos de pesquisa de ponta na Inglaterra (18 centros de centros de excelência) que, graças ao nosso Bom Deus, que dá sabedoria aos homens, está na vanguarda da produção da vacina contra o terrível agente infeccioso, que “nasceu” na velha China, e não os chineses.
    Os testes em seres humanos há tempo (um mês ou mais, salvo engano) da vacina de origem inglesa estão indo muito bem, segundo os técnicos e especialistas, tanto é que um reduzido grupo de países (a própria Inglaterra, a França, a Alemanha, a Holanda, …) associou-se na urgente produção/fabricação logo da vacina, mesmo antes do final dessa crucial Fase III, convictos de que a mesma é eficaz.
    Que Deus abençoe essa imenso esforço produtivo, para que antes do final do ano milhões de pessoas possam ser vacinadas.
    E o nosso Brasil, mesmo que na corana, já poderá/deverá em breve iniciar a “montagem” da vacina inglesa aqui também.

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