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Crítica

Gregory Rabassa

  Saraminda No momento, estou trabalhando no segundo romance de Sarney, Saraminda, que é bem diferente do primeiro e trata da corrida do ouro na região fronteiriça entre o Brasil e a Guiana Francesa, uma área que já foi disputada pelos dois países. Se O Dono do Mar me fazia trabalhar em busca dos equivalentes para termos de pesca e marítimos, agora fico alerta para aqueles referentes à prospecção e ao garimpo de ouro. Saraminda é o nome de uma garota créole da Guiana Francesa, trazida para os garimpos de Continue a ler

Claude Lévi-Strauss

  Incisiva e emocionante A Duquesa Vale uma Missa parece-me uma espécie de interlúdio na obra de José Sarney. Seu conhecimento do Nordeste e suas evocações cheias de lirismo dão lugar a uma intriga ora incisiva, ora emocionante, expressão simbólica de problemas contemporâneos. Mas, ao mesmo tempo, um motivo constante de sua obra se afirma aqui, que consiste, parece-me, na irrupção do passado no coração do presente. Essa leitura cativou-me.

Carlos Heitor Cony

  Saraminda: A Terra e o Ouro O ouro era demais. Dava para todos. Deus misturava terra e ouro. E Saraminda era feita de terra e ouro. A melhor apresentação para o romance de José Sarney é o próprio livro. Uma história penetrada de magia e realidade, o ambiente feroz do Contestado, brasileiros e franceses e se amando na pátria sem bandeira do ouro fácil e maldito. A terra que tem ouro só se abre com a cor vermelha. Foi preciso degolar três homens em dois dias, para saciar a Continue a ler

Carlos Nejar

  As teias da história e da arte A Duquesa Vale uma Missa, de José Sarney, amplia sua dimensão romanesca, a partir do destino de um personagem problemático, complicado. Mais ainda com a morte e enterro do pai. Por meio de uma conjugação habilíssima entre história, erudição e conhecimento pictórico, veem à baila o rei Henrique IV e sua amante Gabrielle, entre injunções religiosas e políticas. De marcante originalidade. E o personagem que também faz parte do enredo é um Quadro, deixado no espólio de seu finado pai — o Continue a ler

Valquíria Wey

  Um exercício de provocação erótica Devorei A Duquesa Vale uma Missa num fim de semana. Gostei muito. Adoro os enigmas simbólicos ou históricos dos quadros dos séculos XVI e XVII. Depois, as dificuldades dos enigmas acabam e os quadros famosos ganham complexidades da linguagem das artes plásticas e perdem os segredos das mensagens verbais encriptadas. Gostei muito de como Sarney colocou a alucinação com o quadro que é realmente misterioso e altamente erótico, no seio de uma família brasileira pouco sofisticada, porque arte fala a todos, não é? Achei Continue a ler

Carlos Augusto Viana

  Prosa renovada e instigante Com a publicação dos romances O Dono do Mar e Saraminda, José Sarney se aliou aos grandes ficcionistas de nossa contemporaneidade, por apresentar uma prosa renovada e instigante. Agora, com o romance “A Duquesa Vale uma Missa”, mostra-se capaz do raro fôlego da superação. É como se, obra a obra, impusesse a si mesmo o desafio do novo. A leitura de sua mais recente narrativa constitui o motivo central desta edição. No século XIX, o romance, enquanto gênero, palmilhou dois caminhos nítidos: a denúncia social Continue a ler

Claude Lévi-Strauss

  Mitologia Popular Quase não conheço a costa norte do Brasil e menos ainda a vida de seus pescadores. Porém, vivi o suficiente no interior para familiarizar-me com a linguagem, o espírito, os costumes, as crenças do povo e reencontrei com emoção, em sua obra, muitos elementos de um patrimônio comum. Como etnólogo, fiquei sensibilizado pela atenção que José Sarney dedica à pesca, a seu vocabulário, a suas técnicas locais. Mas o que me tocou acima de tudo é a arte com a qual Sarney demonstra como um gênero de Continue a ler

Mário Soares

  Uma história de água, de mar e de céu Fiquei verdadeiramente impressionado com a qualidade literária do romance O Dono do Mar. É uma verdadeira obra-prima. Já falei disso com o meu amigo Alçada Baptista, aqui presente, que, com a autoridade de ser um grande escritor, disse-me que ficou extremamente impressionado. A verdade é que esta leitura se torna compulsiva. Começa-se a ler o livro e só se acaba quando o livro termina, pois é realmente apaixonante. É um livro de que não há muitos exemplos na literatura portuguesa, pois, como Continue a ler

Antonio Maura

Antonio Maura • Escritor e crítico. Sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras. Revista Encontro, do Gabinete Português de Leitura, pgs. 206/208, Ano 15, número 15, 1999.   Gente de carne e sonhos A ilha do Maranhão está cercada de águas, rodeada de arrecifes, cabos, promontórios, grutas, cavernas marinhas, enseadas, praias e alcantilados. A cidade, São Luís, cheira a breu e a coisas do mar. A brisa chega até ela carregada de olores e recordações, de vozes e de ruídos do mar. Somente alguém que nasceu e viveu, na infância, cercado por Continue a ler

João Mohana

  Um Humanista que se Fez Abelha Noites de autógrafos deixaram de ser fatos esporádicos na vida do Maranhão. O que testemunha a fecundidade dos homens de letras desta terra. Hoje a noite e o livro são do intelectual José Sarney, José Sarney cuja presença foi uma constante nas noites de autógrafos realizadas nesta Galeria, presença que sempre se fez transbordar em palavras de apoio, de estímulo, de solidariedade. Agora aqui estamos com o intuito de retribuir solidariedade com solidariedade. Para mim é fácil também transbordar de palavras a minha Continue a ler

Noé Jitrik

Noé Jitrik•Escritor, crítico e professor. Considerado o mais importante crítico literário da América hispânica. Por ocasião do lançamento de Saraminda, na XV Feira Internacional do Livro, Guadalajara, México, 3 de dezembro de 2001.   O jogo de duas forças O fato de que José Sarney seja ex-presidente de um país, o que não é ser ex-presidente de qualquer entidade, pode condicionar em certa medida a leitura de seus textos — me condicionou, sem que eu possa medir até que ponto — influi, é inevitável, inibitoriamente; mas quando alguém não tem Continue a ler

José Nêumane

  Um texto rico, poético e bem-humorado Em 1970 — já um político de peso nacional — Sarney lança aquele que será o divisor de águas em sua literatura: o livro de contos Norte das Águas, um quadro vivo da realidade humana de seu estado. Saudado por grandes nomes da literatura nacional como Josué Montello e Jorge Amado, Norte das Águas surpreende por sua visão humanista traduzida em um texto rico, poético e bem-humorado, sempre capitaneado por belas e fortes personagens. Norte das Águas foi traduzido para o romeno — Continue a ler

Jorge Amado

Jorge Amado•Da Academia Brasileira de Letras. Prêmio Camões 1995. Folha de S. Paulo, 21 de dezembro de 1995.   Sobre O Dono do Mar O Dono do mar, do mar do Maranhão, é o escritor José Sarney que o recria, em romance belo e vigoroso. O Dono do Mar vem situar de forma definitiva o nome do autor entre os nossos melhores ficcionistas. Já não cabe confundir o homem político de polêmica travessia de sucessos — foi Presidente da República e, posteriormente, do Congresso Nacional, é Presidente do Senado — Continue a ler

Juan Arias

Juan Arias•Jornalista e escritor, criador e primeiro diretor de Babelia, suplemento cultural do El País, da Espanha. Por ocasião da apresentação na Casa de América, em Madri, 29 de junho de 1998.   Sobre O Dono do Mar A fascinação dos monstros invisíveis Este romance de José Sarney, O Dono do Mar, vem precedido de uma crítica mundial formidável, com elogios, entre outros, de Jorge Amado, Lévi-Strauss, Ferreira Gullar, Maurice Druon e do recém falecido Octávio Paz. Daí minha dificuldade para dele fazer uma leitura crítica. Não obstante, vou tentar, Continue a ler

Marcio Tavares d’Amaral

    Sobre A Duquesa vale uma Missa O Protagonista é o Amor Nesse romance, José Sarney se põe ao largo das águas do norte, do domínio dos mares do seu Maranhão, das intrigas e sagas de formação do outro território da sua habitação física e afetiva, o Amapá e sua vizinha Guiana, para firmar-se como um investigador do drama humano mais universal. Nos outros livros, estavam lá o amor, a paixão — em Saraminda, quanto! —, mas talvez (é uma hipótese; se não servir, jogue-se fora) o ambiente, o Continue a ler