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pedroodylo

Uma escolha sem Sofia

Estamos diante de uma ameaça sempre temida ao futuro da humanidade: as doenças desconhecidas. Ao longo da história dos seres vivos que habitaram o nosso planeta, milhões de espécies já desapareceram. Para citar o episódio mais fascinante, citemos os dinossauros, que em teoria foi provocada por um meteoro gigante que caiu no Golfo do México, transformando a atmosfera, devastando todo o planeta e levando de roldão quase toda a vida, extinguindo muitas espécies, inclusive as mais bem-sucedidas entre elas, as dos gigantes sauros. Mas nada nos diz que não tenha Continue a ler

Uma cantora do Maranhão Novo

Em casa, na solidão em que me encontro do Covid-19, chega uma notícia que me traz nostalgia. Cem anos do nascimento de Elizeth Cardoso, a grande cantora, a Divina, dos meus tempos de moço. A conheci no Rio de Janeiro, deputado federal, em 1955. Ela cantava numa casa de show, aonde fui levado pelo nosso sempre saudoso e inesquecível Henrique de La Rocque, de quem ela era amiga. Quando terminou o espetáculo La Rocque levou-a para tomarmos um drink. O Rio de Janeiro, como disse Hemingway de Paris, era uma Continue a ler

Hora de união

 Ler demais nos leva a encontrar em turnos otimismo ou pessimismo. Nesta crise do Coronavírus que enfrentamos agora, penso no que li sobre o futuro da Humanidade. Escrevi semana passada sobre isso. No livro So Human An Animal(Um Animal Tão Humano), René Dubos — microbiologista e humanista franco-americano que desenvolveu os primeiros antibióticos naturais e ganhou o famoso Prêmio Pulitzer de 1969 — faz uma reflexão sobre a nossa condição animal e, dentro da teoria da evolução, uma advertência de que sem dúvida haverá uma resposta biológica para o nosso Continue a ler

Quintino: a verdade da democracia

A manifestação da vontade da nação de hoje pode não ser a manifestação da vontade da nação de amanhã, e daí resulta que, ante a verdade da democracia, as constituições não devem ser velhos marcos da senda política das nacionalidades, assentadas como a consagração e o símbolo de princípios imutáveis. As necessidades e os interesses de cada época têm de lhes imprimir o cunho de sua individualidade. Quintino Bocaiúva, no Manifesto Republicano

Fernando Pessoa: António Vieira

António Vieira O céu estrela o azul e tem grandeza.Este, que teve a fama e a glória tem,Imperador da língua portuguesa,Foi-nos um céu também, No imenso espaço seu de meditar,Constelado de forma e de visão,Surge, prenúncio claro do luar,El-Rei D. Sebastião. Mas não, não é luar: é luz do etéreo.É um dia; e, no céu amplo de desejo,A madrugada irreal do Quinto ImpérioDoira as margens do Tejo.  Fernando Pessoa, em Mensagem

Nabuco: a causa do futuro

Há uma causa maior, a do futuro: a de apagar todos os efeitos de um regime que, há três séculos é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores, e que fez do Brasil o Paraguai da escravidão.  Quando mesmo a emancipação total fosse decretada amanhã, a liquidação desse regime daria lugar a uma série infinita de questões, que só poderiam ser resolvidas de acordo com os interesses vitais do país pelo mesmo espírito de justiça e humanidade que dá vida ao abolicionismo. Continue a ler

O poder moral da democracia

Raúl Alfonsín •Presidente da Argentina Tenho uma certa dificuldade para leitura. Não tenho muita intimidade com papéis. Mas, justamente devido a essas dificuldades, prefiro ater-me àquilo que eu mesmo escrevo. Falo daquelas dificuldades que mencionou o Embaixador Ricupero. Mas eu gostaria de começar dizendo que eu não poderia iniciar essa conferência ao celebrarmos os 20 anos de nascimento da Nova República, com o início da Presidência do meu querido amigo José Sarney. Não posso esquecer que isso ocorreu depois do trágico falecimento de um homem exemplar, Tancredo Neves, que serviu Continue a ler

Um marco histórico

Julio Maria Sanguinetti •Presidente do Uruguai Eu poderia falar em portunhol, porque a nossa fronteira tem a língua da integração, conforme disse em seu tempo o Presidente José Sarney; porém, por segurança, hoje eu falarei em espanhol. Vocês sabem que o Uruguai é um país com uma certa particularidade. A nossa história está envolvida com a história do Brasil, com a história de Portugal, com a história do Rio Grande, com a história da Argentina. E nós sempre vivemos entre esses dois grandes países, com uma relação de permanente fraternidade, vivendo Continue a ler

Buscar o que nos pode unir

Marco Maciel •Senador por Pernambuco, Vice-Presidente da República, da Academia Brasileira de Letras Buscar sempre, entre o que nos separa, aquilo que nos pode unir parece constituir o grande objetivo da Política, porque se queremos viver juntos na divergência, princípio vital da democracia, estamos fadados a nos entender. Impõe-se assim acreditar na força das idéias, compreender que a política não pode ser o meio da conservação, mas de transformação, e que a firmeza das convicções não deve ser empecilho para o entendimento capaz de transformar o poder em instrumento de Continue a ler

Um prodígio popular

Jorge Bornhausen •Senador por Santa Catarianl, Governador de Santa Catarina, Presidente do PFL Vinte anos é pouco para quem acha efêmero tudo o que não tem a idade das pirâmides. Mas, às vezes, a realidade cria situações incontornáveis e obriga, até a esses céticos, a celebrar décadas como se fossem milênios. Eu os relembro muito bem. Os homens de pouca fé de 1984, que nos viraram as costas quando, homens de boa vontade, apostamos na experiência e vocação política de Tancredo Neves e o adotamos como profeta e guia, líder Continue a ler

A inversão de um processo de terror cívico

Garibaldi Alves Filho •Senador pelo Rio Grande do Norte, Presidente do Congresso Nacional, Governador do Rio Grande do Norte Há vinte anos tomava posse, perante o Congresso Nacional, o primeiro Presidente da República civil depois de mais de vinte anos de ditadura militar. Encerrava-se um ciclo histórico, e, mais que isso, terminava um processo que amadureceu com a adesão consciente de todo o povo brasileiro. São fatos históricos recentes, arraigados ainda na crônica política contemporânea e na memória de todos os brasileiros. O dia 15 de março de 1985 marcou Continue a ler

Um dia singular

Antônio Carlos Magalhães •Senador pela Bahia, Presidente do Congresso Nacional, Governador da Bahia Hoje é um dia singular na democracia brasileira. Costumo repetir que todos os movimentos, desde trinta para cá, até mesmo antes da República e até mesmo da Independência, todos esses movimentos, civis ou militares, foram feitos com o apoio da opinião pública nacional. Sem o apoio da opinião pública nacional, jamais teriam acontecido! Sem o apoio da opinião pública nacional, Tancredo Neves não teria sido Presidente da República! Hoje, aqui, homenageamos dois grandes brasileiros de uma só Continue a ler

Convite à reflexão

Renan Calheiros •Senador por Alagoas, quatro vezes Presidente do Congresso Nacional Este não é só um momento de celebração, mas é também um convite à reflexão. No dia 15 de março de 1985, o Congresso Nacional se reuniu para encerrar uma etapa crucial na história política do País. Com a posse do primeiro presidente civil, depois de 1961, demos início ao longo e vital processo de restauração da democracia, ceifada por conflitos e crises de natureza político-militar que, lamentavelmente, entristeceram toda a América Latina. Não era a primeira vez que, Continue a ler

António Alçada Baptista

António Alçada Baptista •Escritor e editor português. Por ocasião do lançamento da edição portuguesa de "Norte das Águas", Edições Livros do Brasil, 1980.     Sobre Norte das Águas Recriação do Espaço e do Tempo Regionais Escrever sobre um livro de José Sarney impõe que se estabeleça uma separação clara entre aquele que foi deputado federal, governador do Maranhão, senador e presidente da Arena e que, atualmente, lidera o Partido Democrático e Social, e o escritor José Sarney, membro da Academia Brasileira de Letras. Porque a tentação existe para o Continue a ler

Ivan Junqueira

Ivan Junqueira •Poeta e jornalista. Foi da Academia Brasileira de Letras.   Sobre Saudades Mortas Os passos lentos da falecida Tia Zica no quarto assombrado por mil cavalos de vento. O caixão do avô de fraque, colete e botina, preparado para uma festa de cinzas aonde se chega e de onde não se volta. A amarga madrugada do recordar brilha e aparece entre tipos datilográficos e aranhas, e o teclado de santa alucinação produz linhas comoventes, cortantes, singelas. A flor da memória desabrocha nos censários remotos da infância no Maranhão, Continue a ler